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Blog de agulhasregistros


                E WILDENBERG

 

 

Nossas

Mais animadas ilusões

 

Mesmo

Agora

 

Ferem

As tardes e

As sombras

vermelhas

 

Para sempre representadas

 

Aqui

Nossa violação

Preguiçosa

 

E saltos

De carinhos

Cinzas

 

Crença

 

Eu nem sei mais trair

 

E se

Músicas experimentadas

Se arrastam

Atrás destes dias

O sexo e a reprovação farão

Parte da nossa vida.

 

Ah! Chegamos...

 

 

Que a fortaleza

E o direito nos

Busquem...

 

 

As coisas

Que nos defloram

 

Sempre

 

Estarão

Presentes

Nos rostos

Dessa leveza

 

Dormir esgotados

Dormir esgotados

 

É isto o que queremos

 



Escrito por agulhasregistros às 19h40
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Kafanov



Escrito por agulhasregistros às 18h12
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Escrito por agulhasregistros às 18h11
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                                                       O TARÔ DOS MINUTOS


   Na voz que apertava minha força: “Meu ácido e minha busca. Nas partes vivas, nas partes vivas...”

alcançar a manifestação – de alguma forma eu amava aquilo. Vestígios fabulosos, através de sonhos

desenvolvidos na infância. Coroado como uma alma antes de vim.

   Segredo e libertação.

   Em 3 minutos nunca mais ficaremos esquecidos. Verdades eternas nos desviarão do caminho.

   Verdades eternas em 3 minutos, e voz, e busca, e ácido.

   Eu não espero nenhum silêncio do mau. Sinto.

   Essa podridão nos aceitará dormindo. O restar do espelho, o móvel do corpo, luz, será o final atravessado.

   Exista.

   Na maioria das vozes, o ar da nossa fórmula. Do nosso temor. Testemunhas.

   Sopraremos e aliviaremos.

 

Manassés Diego



Escrito por agulhasregistros às 04h04
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Escrito por agulhasregistros às 02h33
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sobre Farnese de Andrade

     Os destroços (bonecas, objetos velhos, santos, fotografias, pedaços portas, bolinhas e etc.) encontrados na orla por Farnese

nas longas caminhadas que fazia, é a substância de grande parte de sua obra. Certamente, além do sentimento oceânico, o mar

significou uma fonte generosa para Farnese.

Em parte, isso explica a antipatia que tinha por Minas Gerais, mais especificamente por Belo Horizonte, e explica

também a sua paixão desenfreada por Barcelona, que pouco antes de seu falecimento planejava visitar".

[Hábitos Estranhos, Charles Cosac, 2004, página 21, Farnese Objetos, Cosac & Naif Edições, São Paulo, SP, 2005]

nascido em 26/01/1926 em Araguari, MG. Foi o sexto de

oito irmãos. Em 1942, vai morar com mãe em Belo Horizonte. Estuda desenho

com Alberto Guignard, 1945, na Escola do Parque. Em 1948, vai

trabalhar no Rio de Janeiro, e fica quase dois anos internado no sanatório, em

Correias, RJ, para tratar da tuberculose. De 1950 até 1960, ilustra

inúmeros jornais e revistas. Em 1952, participa do I Salão Nacional de Arte Moderna.

Expõe, em 1961, na VI Bienal de São Paulo. Em 1962, participa da III Biennale

Internazionale di Scultura, Carrara, Itália. Em 1964, cria o primeiro objeto

e participa da Fourth International Biennial Exhibition of Prints, Tóquio, Japão.

   Em 1966, conquista o 1º prêmio de desenho, no III Salão de Arte

Moderna do Distrito Federal. Recebe, em 1967, na IX Bienal de São Paulo

o prêmio "Galeria Estréia". Em 1968, participa da XXXIV Biennale di Venezia, Itália.

Mais um prêmio em 1969, "Viagem ao País" e certificado de "Isenção de Júri",

no XVIII Salão Nacional de Arte Moderna, MEC,Rio de Janeiro.

     No ano seguinte, ganha o prêmio "Viagem ao Exterior", no XIX Salão Nacional

de Arte Moderna, MEC. Em 1972, reside inicialmente em Roma e depois em

Barcelona, onde permanece até 1975. Em 1978, participa da I Bienal

Pan-Americana, Sala Especial, Fundação Bienal de São Paulo. Recebe em 1993

o prêmio Fundação Roquette Pinto: "Os Melhores de 1992", pela exposição Objetos,

na Galeria Anna Maria Niemeyer, Rio de Janeiro, RJ.

Participa, em 1995, da Configura 2, Erfurt, Alemanha, é o único artista brasileiro

contemplado com uma sala individual. Morre no dia 18 de julho de 1996, aos 70 anos,

na cidade do Rio de Janeiro, RJ. As obras de Farnese de Andrade integram o acervo

dos principais museus, fundações, institutos e coleções particulares do Brasil e exterior.

 


Escrito por agulhasregistros às 02h16
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Aline Daka



Escrito por agulhasregistros às 01h47
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                                                 NOSSA

 


Quando eu me apaixonei pela decadência

           Eu estava cheio da grana

                       Num avião indo pra Paris

 

Meus fantasmas bem

 

Embora os coros clandestinos

Nos enrrabem. Nosso canto objetivo.

Eu assumir

Eu cuspir

O corpo que treme é bem vindo,

 

Montparnase

 

Essa experiência tem duas videntes

Uma, eu conheci

Na estação de

St. Michel

 

Outra, apenas olhei pela janela avermelhada

Desde que ela foi feita, ela nunca foi esculpida

 

Parecia

Numa aventura

Religiosa secreta

 

Assumia a Boneca

     Que era no universo

 

Que

Não brincava no universo

 

“Então minha benção será lenta?”

 

Uma

Na sua doidera muito cedo

 

Aumentando a doçura?

 

Aberta

 

Descansando e esperando um único vagão

 

E

Soava

 

 

A outra

Velha e deusa

 

Fechada

 

A conservação do meu espírito vai importar

Esse mágico que condena

Os humanos

                                                                                

Como se

Fazendo alcoólatra

 

A partir dos dedos

Pendurados

Dos quartos de hotéis

 

Esqueci e vida

Chamando os Malditos franceses

Eles me invocaram primeiro

 

Viajaram

 

Nossas imagens não são mentes

 

E elas

As duas

Renascimento

 

 

Manassés Diego

 



Escrito por agulhasregistros às 15h21
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desenho de Lorca



Escrito por agulhasregistros às 20h28
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através da Arte e da Contra-Cultura

27/10 Dia da oficina:  Rio de Poesia Vermelho

Com o escritor Manassés Diego

O rapper  O Homem Negro

A cineasta Luciene Lages

A atriz Alessandra Cerqueira


Local: Biblioteca Juracy Magalhães

          Rio Vermelho

apoio Fundação Pedro Calmon

                                                                                             Coletivo Quase Atos

 



Escrito por agulhasregistros às 23h14
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Vídeo do coletivo Quase Atos



Escrito por agulhasregistros às 19h18
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                                                        SANTIDADE

 

   Experiência. Era muito obedecer a si mesmo.

   Dançando em ruídos, perto do universo, até os rostos das janelas conhecidas,

atrás de deliciosos goles de poço.

   Nós nos concentramos nos animais.

   Nós nos forçamos, estamos ocupados em morrer de verdade.

   Cartomantes ditadoras aliviarão nossa consciência de jovem artista. E nada

de segurança, nada de segurança.

   Sair para ser completo.

   E nós nos torturamos por não ter sucesso e outros brilhos. Nenhum cheiro certo.

E não sabemos onde pagar a taxa.

   Instintivamente: a colheita.

   Nos incluíram para nos difamar e perseguiram nossas vistas. Nos atribuíram

coisas. Acotovelado por barreiras, encontro-me neles – uma dor cobrada é pior.

   E se diante de uma nova energia, o filho dessas vidas se mostra, a afeição em nós cresce. Rapid-

amente. “Seja lá o que tava me aprisionando, me fez feliz”.

   Nem sempre estaremos vivos para receber suas bênçãos.

   Quere nascer nos sentidos.

   Eu estou assumindo minha respiração; minha respiração.

   Tranquilo com os outros em abstinência.

 

Manassés Diego

 



Escrito por agulhasregistros às 19h23
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entrevista Henry Miller part.2

Entrevistador

Quanto tempo você diria que levou para escrever um dos seus primeiros livros?


Miller

Não saberia responder. Eu nunca consegui prever quanto tempo um livro levaria: mesmo agora quando eu planejo algo,

não saberia lhe dizer. E de certa maneira é falso acreditar nas datas que um autor diz ter começado e terminado um livro.

Não significa que ele estava escrevendo constantemente o livro na época. Pegue Sexus ou toda a Crucificação Encarnada.

Acho que comecei a escrevê-la em 1940 e aqui estou eu ainda trabalhando nela. Bem, seria absurdo dizer que eu estive

trabalhando nesses livros durante todo esse tempo. Eu não cheguei a nem pensar neles por anos. Então, como posso falar

sobre o tempo que demoro para escrever meus livros?


Entrevistador

Sei que você reescreveu Trópico de Câncer diversas vezes e essa obra deu mais trabalho para você do que todas as

outras, mas claro, foi o início. Estava pensando se a escrita não se tornou mais fácil para você hoje em dia?


Miller

Essas questões não fazem sentido. O que importa quanto tempo se leva para escrever um livro? Se você perguntasse

a Simenon, ele diria com precisão. Acho que ele demora de quatro a sete semanas. Ele sabe que pode contar com isso.

Seus livros normalmente têm uma determinada extensão. Além disso, ele é uma dessas raras exceções, um homem que

quando diz “Agora vou escrever este livro”, entrega-se completamente ao trabalho. Ele se isola e não pensa e faz nada

além disso. Bem, minha vida nunca foi assim. Tenho muitas outras coisas para fazer enquanto estou escrevendo.


Entrevistador

Você edita ou muda muito o que escreve?


Miller

Varia muito. Nunca faço qualquer correção ou revisão durante o processo de escrita. Digamos que escrevo algo de

qualquer maneira e então depois que a situação esfria – deixo o texto descansar por um tempo, talvez um ou dois

meses – e vejo-o com novos olhos. E então me divirto. Começo a trabalhar [no texto] com o machado. Mas nem

sempre é assim. Às vezes, surge quase do jeito que eu queria.


Entrevistador

Como é seu processo de revisão?


Miller

Quando estou revisando uso pena e tinta para fazer mudanças, riscar, inserir. O manuscrito fica maravilhoso depois

disso, como um Balzac. Então, eu datilografo novamente e nesse processo faço mais mudanças. Prefiro eu mesmo

datilografar novamente porque mesmo quando acho que fiz todas as mudanças que queria, o mero trabalho mecânico

de tocar as teclas aguça meus pensamentos e eu me encontro revisando enquanto estou fazendo o texto final.


Entrevistador

Quer dizer que existe uma relação entre você e a máquina?


Miller

Sim, de certo modo, a máquina atua como um estímulo; é algo cooperativo.

Entrevistador

Em Os livros da minha vida você diz que a maioria dos escritores e pintores trabalha numa situação desconfortável.

Você acha que isso ajuda?

Miller

Sim. Chego a acreditar que a última coisa que um escritor ou qualquer artista pensa é em se sentir confortável

enquanto está trabalhando. Talvez o desconforto sirva de ajuda e estímulo. Homens que podem se dar ao luxo

de trabalhar em condições melhores, muitas vezes escolhem trabalhar sob condições miseráveis.

Entrevistador

Não são esses desconfortos às vezes psicológicos? Pegue o caso de Dostoievski...

Miller

Eu não sei. Sei que Dostoievski estava sempre em um estado miserável, mas você não pode dizer que

ele escolheu desconfortos psicológicos deliberadamente. Não, duvido muito. Não acho que alguém escolhe

essas coisas, a menos que seja inconscientemente. Acredito que muitos escritores têm o que muitos

chamariam de uma natureza demoníaca. Eles estão sempre com problemas, você sabe, e não somente

enquanto estão escrevendo ou porque estão escrevendo, mas em todos os aspectos de suas vidas, com

o casamento, amor, negócios, dinheiro, tudo. Está tudo interligado, tudo parte e parcela da mesma coisa.

É um aspecto da personalidade criativa. Nem todas as personalidades criativas são assim, mas algumas são.

 

 



Escrito por agulhasregistros às 00h35
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por LeonardoH (fotógrafo do Coletivo Quase Atos)



Escrito por agulhasregistros às 00h20
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entrevista Henry Miller


 

Entrevista concedida a George Wickes para a Paris Review, 1961.

Tradução: Hamilton Fernandes


A ARTE DA FICÇÃO nº28

Henry Miller

Em 1934, Henry Miller, então com 42 anos e vivendo em Paris, publicou seu primeiro livro. Em 1961, o livro foi finalmente publicado em sua terra natal, onde instantaneamente tornou-se um “best-seller” e causou grande polêmica. No momento as águas têm sido tão enlameadas pela controvérsia da censura, pornografia e obscenidade que o livro se tornou o foco das atenções.

Sua vida está escrita em uma série de narrativas picarescas na primeira pessoa do presente histórico: os primeiros anos no Brooklyn, em Primavera Negra; sua luta para encontrar a si mesmo durante os anos 20, em Trópico de Capricórnio e os três volumes da Crucificação Encarnada; suas aventuras em Paris na década de 30, em Trópico de Câncer.

Em 1939, ele foi à Grécia para visitar Lawrence Durrell; sua breve estada forneceu as bases narrativas para O Colosso de Marússia. Interrompido pela guerra e forçado a voltar à América, ele registrou a odisséia de um ano de duração em Pesadelo Refrigerado. Foi então em 1944 que se estabeleceu num magnífico trecho da costa da Califórnia, levando a vida descrita em As laranjas de Hieronymus Bosch. Agora que seu nome transformou Big Sur em um centro da peregrinação, ele resolveu dar o fora e continuar.

Aos 70 anos, Henry Miller se parece mais com um monge budista que “engoliu um canário”. À primeira impressão, ele é um ser humano cômico e afetuoso. Apesar da cabeça calva com um halo de cabelos brancos, não existe nada de velho nele. Sua figura, surpreendentemente frágil, é a de um jovem; todos os seus movimentos e gestos são juvenis.

Sua voz é magicamente cativante, suave, ressonante, mas bastante grave com um grande alcance e variedade de modulações; ele não é tão inconsciente como parece ser a respeito de sua maneira de falar musical. Fala um inglês do Brooklyn modificado, frequentemente pontuado por pausas retóricas como “Don’t you see?” e “You Know?” e diminuindo a voz para uma série de sons “yas, yas... hmm... hmm... yas... hm... hm”. Para se entender melhor e honestamente o homem, deve-se escutar as gravações de sua voz.

A entrevista foi realizada em setembro de 1961, em Londres.

– George Wickes, 1962

Entrevistador

Antes de tudo, você poderia explicar como começa de fato a escrever? Aponta lápis como Hemingway ou algo do tipo para esquentar os motores?


Henry Miller

Não, nada desse tipo. Geralmente começo a trabalhar logo após o café da manhã. Sento-me imediatamente diante da máquina de escrever. Se me dou conta de que não consigo escrever, desisto. Mas não, não há nenhuma regra ou estágios preparatórios.


Entrevistador

Existem certos momentos do dia ou certos dias em que você trabalha melhor?


Henry Miller

Hoje eu prefiro a manhã, e apenas por duas ou três horas. No começo, eu costumava escrever da meia-noite até o amanhecer, mas isso foi bem no começo. Mesmo depois que eu estava em Paris, achava muito melhor trabalhar pela manhã. Mas nessa época eu costumava escrever por longas horas. Trabalhava de manhã, tirava uma soneca depois do almoço, levantava e escrevia novamente, às vezes até a meia-noite. Nos últimos dez ou quinze anos, percebi que não é necessário trabalhar tanto assim. É, de fato, ruim. Você esvazia o reservatório.


Entrevistador

Você diria que escreve rapidamente? Perlès disse no livro “Meu Amigo Henry Miller” que você é um dos mais rápidos datilógrafos que ele conheceu.


Miller

Sim, muitas pessoas dizem isso. Devo fazer um grande estardalhaço quando datilografo. Acho que escrevo rapidamente. Mas isso varia. Posso escrever rapidamente por um tempo, e então chega o momento em que eu emperro e gasto uma hora em uma página. Mas isso é muito raro, porque quando percebo que estou atolando, pulo uma parte difícil e continuo, e volto a essa parte um outro dia, com a cabeça fresca.




Escrito por agulhasregistros às 01h54
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