DISCÍPULOS
Quando escorregava o céu, voavam respingos de aves pelas janelas, – começou a ser invadida por frestas, falava em espíritos, a minha mulher, a minha única. E se hoje ela está presa é porque a amo. E me faz feliz vê-la abatida, suja, amante dos poderes físicos. Fértil. Esperando uma traição do juiz. Pra ela, que era pegada a paz, certas visões eram inexploráveis, ocupadas, mais reais do que aquilo que nasce. Mas certos sentidos são inválidos. Era a entrega o que eu esperava. Enquanto a pessoa não se entregasse, pra mim não significaria nada. Em mão ou em dor. A entrega. Nunca mais quero ficar nu com ela no meio da sala. As paredes eram todas brancas mas então a irmã dela chegou um dia e colou flores de panos verdes azuis. Deu origem a um clone perverso. Um inóspito, revelando almas gêmeas pra comprar. Simulação e vôo. Nós desmaiávamos nesse canteiro, um no outro, pensando que íamos morrer. Eu seguia sua perturbação... Passageiro na sua perturbação. Manassés Diego
Escrito por agulhasregistros às 15h35
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Cenas-limite Sinopse: Uma mãe solteira ucraniana segue para Oeste para encontrar uma vida melhor. Um segurança desempregado da Áustria segue no sentido contrário, mas com o mesmo objetivo. Se for necessário resumir o filme Import/Export em apenas uma palavra, “cru” seria a melhor escolha. Essa obra é quase como um grito primal, cru doa a quem doer. Como se vê no cartaz, algumas cenas chegam a testar o limite da pornografia. Felizmente para os atores e para quem assiste, tortura não é um de seus temas. Os próprios personagens retratam bem a crueza dessa produção austríaca. Olga é uma batalhadora mãe solteira e seus esforços para sobreviver são louváveis, mas Pauli é a prova final de que os pit-boys não são uma praga exclusivamente nacional. As emoções são transmitidas por uma câmera nervosa e documental, carregada no ombro. Por causa das locações simplórias e do comportamento dos quadros, é possível perceber resquícios do movimento cinematográfico Dogma 95, migrando dos países nórdicos para o centro da Europa. Usando postulados com mais de dez anos de idade, Import/Export mantém-se moderno em suas temática e narrativa. A fita segue a tendência contemporânea do cinema europeu de histórias vazias, onde fica difícil traçar uma trajetória dramática. Um prato cheio para quem gosta de obras do tipo, como O Silêncio de Lorna e Horas de Verão.
Escrito por agulhasregistros às 15h15
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